PASSEIO NA FLORESTA NACIONAL DE CARAJÁS

 Um passeio de tirar o fôlego na Floresta Nacional de Carajás







Biografia: Valdimar Lopes da Silva
Nascido em 1973 em Brejo Grande do Araguaia, Pará, Valdimar Lopes da Silva carrega em sua trajetória a essência do Sudeste paraense. Registrado em São João do Araguaia — polo que, junto a Marabá e Conceição do Araguaia, centralizava a identidade regional na época — ele consolidou uma vida de serviço e arte.
Aos 53 anos, Valdimar é um polímata do Araguaia: Pós-graduado em Históriaagricultor e servidor público concursado há 19 anos. Como instrutor musical na Casa da Cultura de Xinguara, ele dedica sua carreira a transmitir o ritmo e a harmonia que correm em seu sangue. Como músico, artesão e compositor, é herdeiro direto da sabedoria de seus pais, Izidoro Lopes da Silva e Januária da Silva Nascimento. Com eles, aprendeu a "ler" a floresta e a entender o manejo sustentável. Sua história é o testemunho de um homem que une o rigor do serviço público à sensibilidade da alma artística, garantindo que a família Lopes continue fazendo história.

A Experiência em Carajás: Ciência e Ancestralidade
O passeio pela FLONA de Carajás foi um momento de profunda conexão. Ao lado dos guias Aline, Hélio, Diego, Beatriz e Amanda, a trilha se transformou em um diálogo entre gerações. O que mais chamou a atenção foi a riqueza das quaresmeiras. Na "laje férrea" (canga), elas se mostram resilientes e ornamentais; na floresta densa, as mesmas "parentes" botânicas tornam-se gigantes, mostrando a incrível capacidade de adaptação da vida sobre o minério.
A Engenharia do Artesão: O Mata-Matá e o Arumã
Como um conhecedor nato da matéria-prima, identifiquei na trilha os elementos que moldaram a vida no campo:
  • A Ripua de Mata-Matá: Árvore de madeira densa, de onde se extrai apenas uma pequena tira (ripua) para a sustentação lateral do quibane (soprador de arroz). O processo respeita o tempo da natureza: retira-se a peça e a árvore ganha anos para se cicatrizar e se recuperar.
  • O Arumã: Planta essencial para a trama delicada da cestaria, indicando áreas de sombra e umidade.
  • Palmeira Mumbaca: Velha conhecida pela utilidade de seus frutos e pelo aviso de seus espinhos, um símbolo da resistência da flora regional.
Conclusão: O Legado em Movimento
Esta jornada em Carajás foi um intercâmbio de saberes onde a ciência dos guias encontrou a vivência do mestre. Para Valdimar, a floresta não é apenas um cenário, mas uma partitura onde cada planta tem uma nota e cada processo artesanal é um movimento de preservação. Honrando o ensinamento de seu Izidoro e dona Januária, o historiador e músico de Xinguara segue provando que o maior tesouro da nossa região é o conhecimento que se cultiva e se compartilha.

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